A Fuvest aplicou pela primeira vez uma prova fora de São Paulo em Fortaleza, onde 1.640 candidatos de 23 estados e do Distrito Federal se inscreveram para a primeira fase.
Gustavo Monaco, diretor-executivo da Fuvest, disse que a localização da capital cearense facilita o acesso de candidatos do Nordeste e de parte da região Norte. A escolha também levou em conta o desempenho de estudantes do Ceará em vestibulares e o número de inscritos no estado.
Entre os participantes há candidatos de outros estados que viajaram até Fortaleza e estudantes cearenses que buscam uma vaga na Universidade de São Paulo (USP). A prova estava marcada para as 13h de 1º de novembro de 2026.
A aplicação na capital cearense amplia as opções de local para quem mora longe de São Paulo, mas deslocamento e hospedagem continuam sendo parte do planejamento. Os relatos reunidos mostram diferentes trajetos e formas de acomodação, além da preparação dos estudantes para o vestibular.
Fortaleza estreia como local de prova da Fuvest
A decisão de aplicar a prova no Ceará foi questionada na Assembleia Legislativa de São Paulo. O debate envolveu a realização do vestibular em uma cidade fora do estado.
Em agosto, o deputado estadual Leonardo Siqueira (Novo) pediu esclarecimentos sobre os custos da operação. O questionamento trouxe para a discussão os gastos relacionados à aplicação da prova em Fortaleza.
Siqueira também solicitou informações sobre os critérios usados para escolher a capital cearense. A decisão ainda recebeu críticas nas redes sociais.
Viagens e hospedagem marcam a disputa por uma vaga na USP
De Teresina, no Piauí, Marco Antônio Coutinho Feitosa, 18, planejou percorrer 598 km de carro com o pai para chegar a Fortaleza. Aluno do Instituto São José, ele pretende cursar engenharia da computação no campus da USP em São Carlos.
A viagem de Marco estava prevista para durar de sete a oito horas, com saída de Teresina na manhã de 31 de outubro e chegada à tarde. O combustível seria o principal gasto do trajeto, feito na véspera da prova.
Abimael Landim, 19, cursa medicina na Universidade Federal do Pará e pretende tentar uma vaga na USP por considerá-la uma referência internacional em oncologia. Ele chegou à capital cearense em 27 de outubro, ficou na casa dos avós e fez uma viagem de avião de 18 horas, com escalas em Brasília e Salvador.
Beatriz Lima, 17, estudante do terceiro ano da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Dr. César Cals e jovem aprendiz, quer cursar farmácia e trabalhar com toxicologia forense. Ela afirmou que não tentaria a Fuvest se a prova não fosse aplicada em Fortaleza, pois transporte e hospedagem tornariam a participação mais difícil. Maria Clara Silva Souza, 20, nasceu em Taubaté, cresceu no Rio e chegou ao Ceará em 2022 após conseguir uma bolsa no Colégio Farias Brito; seus contatos em São Paulo vivem principalmente no interior do estado.
Preparação dos estudantes e mudanças na primeira fase
No Colégio Farias Brito, os alunos intensificaram a preparação com simulados, provas anteriores e leitura das obras obrigatórias. O professor Dawison Sampaio disse que a prova exige interpretação e articulação entre disciplinas, além de atenção ao que cada questão pede.
Maria Clara quer estudar psicologia na USP, e o interesse cresceu com a experiência da irmã, formada em arquitetura e urbanismo pela instituição em 2026. Arthur Bruno Macedo Cruz, 17, pretende cursar engenharia mecânica e trabalhar com automobilismo; ele contou que o pai, sem acesso à educação na infância, o incentivou a estudar física e matemática. João Victor Santos Souza, 18, também planeja estudar engenharia, na Escola Politécnica da USP.
A primeira fase passou de 90 para 80 questões de múltipla escolha, sem alteração nas cinco horas de duração. Segundo a Fuvest, a redução busca oferecer mais tempo para os candidatos refletirem sobre os enunciados.
Medicina aparece na primeira posição entre os cursos mais concorridos, com 76,3 candidatos por vaga. Na sequência estão psicologia em São Paulo, com 50,9, e em Ribeirão Preto, com 37,5; relações internacionais registra 34,8, audiovisual 30,8, jornalismo 27,5, ciências biomédicas 25,4, publicidade e propaganda 24,3, fisioterapia 22,5 e direito 22,2 candidatos por vaga.


