Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro estão usando dados locais para orientar ações de proteção contra o calor extremo, segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Fortaleza. As três cidades compartilham experiências sobre monitoramento, alertas e respostas de saúde pública.
A publicação relaciona o aumento dos riscos ao super El Niño de 2026. Cita estimativas de 451 mil mortes adicionais no mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027 e de 13,3 mil mortes relacionadas ao calor no Brasil entre setembro e fevereiro.
Equipes municipais se reúnem no Rio de Janeiro de 4 a 6 de novembro de 2026, com apoio da Parceria para Cidades Saudáveis. O encontro reúne representantes de Fortaleza, São Paulo e Rio para discutir avanços e desafios comuns.

Segundo a Prefeitura, a exposição ao calor varia entre bairros e grupos, e pode agravar doenças cardiovasculares, diabetes e outras condições crônicas. A notícia apresenta como as três administrações conectam informações sobre clima e saúde ao planejamento de respostas locais.
El Niño e cooperação entre as cidades no enfrentamento ao calor
Segundo a Prefeitura de Fortaleza, o super El Niño de 2026 alcançou a maior temperatura já registrada para o fenômeno meses antes do pico esperado. Para enfrentar os riscos associados ao calor extremo, Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro conectam dados meteorológicos e de saúde ao planejamento de políticas municipais.
As equipes participam dessa troca por meio da Parceria para Cidades Saudáveis, que reúne mais de 70 cidades. A iniciativa é apoiada pela Bloomberg Philanthropies, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Vital Strategies, e busca apoiar políticas públicas para prevenir doenças não transmissíveis e lesões.
Charity Hung, diretora adjunta da Parceria, afirma que os dados locais permitem identificar bairros, grupos e horários com maior concentração de riscos. Segundo ela, a cooperação ajuda as cidades a aprender umas com as outras e a fortalecer suas respostas de saúde pública.
Fortaleza estrutura monitoramento e resposta de saúde
Lançado em 2025 durante a COP 30, o Observatório de Riscos Climáticos reúne dados georreferenciados e informações de uma rede de estações meteorológicas em expansão pela cidade. A plataforma permite acompanhar condições climáticas e analisar dados para apoiar políticas de prevenção e resposta a eventos extremos.
Para lidar com os efeitos associados ao El Niño, Fortaleza criou o Comitê de Enfrentamento aos Impactos do El Niño (COE El Niño) e um plano de contingência. De acordo com a Prefeitura, o plano abrange ondas de calor, chuvas intensas, secas e erosão costeira, riscos que o fenômeno pode trazer ao Nordeste.
A cidade também desenvolve um Protocolo de Calor e Saúde com cinco níveis de risco, integrado ao Painel de Calor e Saúde e disponibilizado à população pelo Observatório. A estrutura prevê informações de prevenção e autocuidado, com atenção a idosos, crianças, pessoas com comorbidades e animais de estimação.
O presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza (IPPLAN), Professor Artur Bruno, explica que o plano de contingência pode ser acionado pelo chefe do Poder Executivo em situações de emergência. A estratégia municipal combina monitoramento em tempo real, alertas precoces e participação comunitária, acadêmica e de departamentos municipais.
São Paulo e Rio de Janeiro conectam dados locais às respostas ao calor
Em São Paulo, o programa SampaAdapta instalou 25 sensores em cinco regiões para medir temperatura e umidade em ambientes internos e externos. Os dispositivos estão em casas, comércios, parques, escolas e unidades de saúde, e moradores que os recebem participam como Guardiões dos Sensores Climáticos.
As medições ajudam a mapear a exposição ao calor em diferentes bairros e edificações. Segundo a Prefeitura de Fortaleza, os resultados subsidiam diretrizes para uma rede de abrigos climáticos em espaços públicos, como parques e escolas; o Parque Benemérito Brás foi escolhido como primeiro local-piloto.
No Rio de Janeiro, o Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE) reúne informações climáticas e de saúde para antecipar e orientar respostas a episódios de calor extremo. Seu Painel de Calor combina previsões meteorológicas, dados de saúde e modelos preditivos, apoiando o protocolo municipal que estabelece ações para cada nível de risco e emergência e é monitorado em tempo real.
O secretário municipal de Saúde do Rio, Rodrigo Prado, afirma que a estrutura integra também o Centro de Operações Rio e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente para detectar precocemente efeitos das temperaturas nos cenários assistencial e epidemiológico. Em São Paulo, o secretário do Verde e do Meio Ambiente, Wanderley Soares Junior, diz que os dados do SampaAdapta apoiam políticas de adaptação e que a preservação e a ampliação de áreas verdes fazem parte das ações para proteger a saúde e a qualidade de vida.


